Saí pra rua hoje depois do sol, com olhos mendigos. Uma pedinte sorria no sinal, sentada ás voltas com caixas de papelão e uma garrafa de dois litros de coca-cola. Mesmo com a arcada dentária defasada, ela riu da minha vida, e da minha pressa. Atravessei a rua e peguei um ônibus que passa por zonas nobres da cidade. Antes de entrar já adivinhava o perfume das moças que talvez estivessem lá. Sentei ao lado da minha clarividência humilhada. O ônibus estava vazio, só haviam velhos cheios da vida, e eu. O cobrador se benzeu ao passar por uma igreja, acompanhado por algumas senhoras que não perdem nunca a novela das 8.
Vi passar de relance a Patrícia, uma ex-colega do colégio, que eu já havia imaginado morta, se esgueirarando entre os ônibus perigosamente. Lembrei de quando uma outra ex-colega do colégio, muito amiga dela, morreu impiedosamente, atropelada por um ônibus. A Patrícia foi testemunha ocular e cardiovascular daquela tragédia, que nunca irá abandonar os seus sonhos. Mas a vida segue, o tempo não para e as frases se repetem.
Desci do ônibus sem ler nenhum dos poemas espalhados nas janelas. Me dei conta que estava faltando alguma coisa nos meus bolsos. Meu celular acabara de ser esmagado, sem misericórdia e sem deus, como a minha ex-colega. Continuei caminhando, pensando nela sem vida embaixo de um trator desequilibrado mentalmente. Me senti muito bem quando o ônibus parou e um rapaz me entregou meu ipod. E melhor ainda quando eu coloquei-o sobre o asfalto escaldante do corredor de ônibus.
Que saudade da Carol.
Vi passar de relance a Patrícia, uma ex-colega do colégio, que eu já havia imaginado morta, se esgueirarando entre os ônibus perigosamente. Lembrei de quando uma outra ex-colega do colégio, muito amiga dela, morreu impiedosamente, atropelada por um ônibus. A Patrícia foi testemunha ocular e cardiovascular daquela tragédia, que nunca irá abandonar os seus sonhos. Mas a vida segue, o tempo não para e as frases se repetem.
Desci do ônibus sem ler nenhum dos poemas espalhados nas janelas. Me dei conta que estava faltando alguma coisa nos meus bolsos. Meu celular acabara de ser esmagado, sem misericórdia e sem deus, como a minha ex-colega. Continuei caminhando, pensando nela sem vida embaixo de um trator desequilibrado mentalmente. Me senti muito bem quando o ônibus parou e um rapaz me entregou meu ipod. E melhor ainda quando eu coloquei-o sobre o asfalto escaldante do corredor de ônibus.
Que saudade da Carol.



