terça-feira, 24 de novembro de 2009

Uma rosa no asfalto.

Saí pra rua hoje depois do sol, com olhos mendigos. Uma pedinte sorria no sinal, sentada ás voltas com caixas de papelão e uma garrafa de dois litros de coca-cola. Mesmo com a arcada dentária defasada, ela riu da minha vida, e da minha pressa. Atravessei a rua e peguei um ônibus que passa por zonas nobres da cidade. Antes de entrar já adivinhava o perfume das moças que talvez estivessem lá. Sentei ao lado da minha clarividência humilhada. O ônibus estava vazio, só haviam velhos cheios da vida, e eu. O cobrador se benzeu ao passar por uma igreja, acompanhado por algumas senhoras que não perdem nunca a novela das 8.
Vi passar de relance a Patrícia, uma ex-colega do colégio, que eu já havia imaginado morta, se esgueirarando entre os ônibus perigosamente. Lembrei de quando uma outra ex-colega do colégio, muito amiga dela, morreu impiedosamente, atropelada por um ônibus. A Patrícia foi testemunha ocular e cardiovascular daquela tragédia, que nunca irá abandonar os seus sonhos. Mas a vida segue, o tempo não para e as frases se repetem.
Desci do ônibus sem ler nenhum dos poemas espalhados nas janelas. Me dei conta que estava faltando alguma coisa nos meus bolsos. Meu celular acabara de ser esmagado, sem misericórdia e sem deus, como a minha ex-colega. Continuei caminhando, pensando nela sem vida embaixo de um trator desequilibrado mentalmente. Me senti muito bem quando o ônibus parou e um rapaz me entregou meu ipod. E melhor ainda quando eu coloquei-o sobre o asfalto escaldante do corredor de ônibus.

Que saudade da Carol.

domingo, 8 de novembro de 2009

Quem é Barato me era Caro.

Não se pode controlar a inveja dos outros. Eu achava que o Barato era meu amigo. Por anos nos analisamos e aparentemente nos ajudamos, inconscientes do mal que queríamos um ao outro . Sendo uma das poucas pessoas que eu conhecia que lia um pouco de obras de qualidade, Barato era o único que eu me autorizava a recorrer, além de mim. Levaram-se anos pra se fazer perceber o inverso do que eu realizava haver ali. Na nossa não-amizade, existia uma falsa cumplicidade perante a dor, que bailava num circulo vicioso criado com um primor invisível, e indizível a mim. Divido a paternidade do pás-de-deux, no qual fomos se arrastando rumo a desilusão, acabando por realmente crer que o mundo é uma bela merda. Bobagem juvenil, mas efervescente como um sal de frutas. Segui fiel, mesmo com as marcas de batom na camisa, pessoas no armário e debaixo da cama. Fui muito corno nessa amizade. Não no sentido de dividi-la e sim de ser difamado num dia e encarado com um sorriso “grama queimada” no outro . Coisa difícil o dia-dia do sorriso. Certas pessoas morrem sem dar um único realmente branco (mesmo aqueles que passam por branqueamentos). E muitas morrem com dentes destruídos por impurezas, mas com um sorriso puro nos lábios, intocados pela maldade.
Olhei por cima das memórias e do meu texto e me irritei em constatar que teimo em continuar com o vício de achar sinceridade sem investigar as pistas criminosas,jogadas na porta de casa, com nome e telefone pra contato.
Não; A inocência se foi, e só volta ninada nos braços de uma mulher. De uma mulher cara. Muito cara.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A 5a de Beethoven por um Pau no Cu.

Cu, Cu, Cu, Cu (último Cu vale três tempos).


Pau, Pau, Pau, Pau (último Pau vale 4 tempos).


Cucucucu, paupaupau, cucucucu.


Cucucucu, paupaupau, cucucucu.


Cucucu. Paupaupau. Cucucu. Paupaupau Cucucu.


PAU.


CU (esse cu vale mais que o teu).

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Melhor que palavras

é o som...a imagem é consequencia da tecnologia disponível. Nada mais óbvio.

Eu podia botar um video de uma guria rebolando que é uma coisa impressionante, mas optei por esse já que eu não sou tarado. Mas espero que alguém rebole ao som dessa banda.
Ah Dinorah, Dinorah...



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

No ônibus mais pobre da cidade.

No ônibus mais pobre da cidade
as pessoas tem cheiro de cabelo sujo,
Se saúdam sem se olhar,
Nunca se beijam,
Divagam sobre o nada,
Falam alto sobre tudo, menos eu.
De cima somos todos mortais.
Morremos a cada instante desperdiçado com prazer.
Palavras lépidas não existem,
Aqui é tudo terra, é tudo chão, é tudo suor.
A inocente malandragem de quem vota com esperança
Sai pelos canos de descarga entupidos por decepções.
Uma palidez se instala com intensidade.
Aqui eu sou de cor.
A diferença entre nós está no achismo:
Eu acho que conheço a realidade deles
E eles, a minha.
Continuemos assim, no ônibus com destino.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Brad Mehldau





















Semana passada veio para Porto Alegre um gênio da música: Brad Mehldau. Prova de sua genialidade é a quantidade de pessoas que foram vê-lo. Umas 150, sendo que ouvi no banheiro algumas delas expelirem seus degétos, fora da privada, com sentenças brilhantes como essa: "é, o cara é bom, mas não gostei. É muita virtuose".
Eu chorei justamente na música de mais simples execução técnica,"Retrato em preto e branco", que nem vou tentar descrever.
Como eu já disse anteriormente, deve ser difícil ser um gênio.
Além de fora-de série na música Brad Mehldau é gentil e tratou todo mundo bem na saída do espetáculo, vide foto acima.


domingo, 23 de agosto de 2009

Love is a fog




O amor, segundo o maior poeta da América*.

*Opinião de Sartre, compartilhada por mim.